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História homenageado
Sérgio Seraphim Del Grande, brasileiro, nascido em 12 de agosto de 1936, na cidade de São Paulo.
SUA INFÂNCIA
Sérgio era filho de José Del Grande e Thereza Jordano Del Grande, brasileiros filhos de italianos, industriais na época. Viveu sua infância no bairro do Paraíso, mais precisamente na Rua: Maestro Cardim, 1.333, casa esta que até hoje faz parte do patrimônio da família. Jogava futebol e fazia estripulias no campinho do Clube Éden Paraíso, onde hoje é a famosa Av. 23 de maio.
Aos 10 anos fez admissão no Colégio Arquidiocesano (Colégio de Padres, dos Irmãos Maristas, tradicional em São Paulo). Aos 16, Sérgio já cursava o 1º cientifico. O Colégio era freqüentado, naquela época, somente por homens, e até hoje é localizado no Bairro de Vila Mariana, onde mantém suas atividades, para ambos os sexos. Lá havia quatro campos de futebol, onde os alunos faziam aulas de educação física. Pela manhã tinham aulas teóricas e horário para estudar. À tarde, retomava as aulas, e no final delas, jogavam futebol, orientados pelo professor.
O ACIDENTE
No dia 28 de outubro de 1951, um sábado, por volta das 16h00, Sérgio, juntamente com a equipe do colégio, treinava futebol, pois, no dia seguinte, domingo, eles pegariam o trem e iriam até Santos, para jogar contra o Colégio dos Irmãos Maristas daquela cidade. Neste treino ele, numa disputa de bola alta na área, caiu de costas na trave do gol, após cabeceá-la. Naquela época, as traves não eram arredondadas como hoje, que são feitas de tubo de ferro, com perfil redondo. Elas eram feitas de madeira, tipo "viga", com perfil retangular, onde seus cantos formavam quinas muito acentuadas.
Quando Sergio se recuperou da queda, tentou ainda entrar no jogo novamente, mas não tinha força suficiente nem para chutar a bola. Formou-se nas suas costas um inchaço, tipo de um caroço, na coluna cervical. Como não tinha mais condições de jogar, trocou de roupa, e ainda conseguiu pegar o bonde para ir até sua casa. Lá chegando não conseguia erguer as pernas para subir as escadas que tinham na entrada de sua casa. O barbeiro e o farmacêutico, vizinhos de sua casa, foram quem o ajudaram a subir essa escada bem como a outra que ia para o seu quarto, pois ele morava num sobrado.
O ATENDIMENTO AQUI NO BRASIL
No dia seguinte, domingo, seu quadro clínico se complicou e ele já não mais conseguia ficar em pé e nem urinar. Reuniram-se alguns médicos em sua casa, para analisar seu estado clínico. Esta junta médica foi composta pelo Dr. Paulino Longo, Dr. Otávio Leme (professor da Escola Paulista de Medicina), Prof. Dr. Renato Bonfim, e o Dr. Ivo Define Frascar, médicos estes renomados na área de neurologia.
Após examiná-lo minuciosamente, ele foi imediatamente internado no Instituto Paulista, o qual um dos médicos era diretor. O Instituto se localizava numa travessa da Av. Paulista. Lá ficou internado pouco mais de um mês e, após este período, retornou para sua casa. Seus pais contrataram um italiano, chamado Lance Fortunato, que fazia secções de fisioterapia. E com ele, Sergio aprendeu também um pouco da língua italiana.
Após mais ou menos um ano de fisioterapia, foram feitos vários exames no Hospital Samaritano, para ser reavaliado novamente seu estado clínico. Com os resultados obtidos, seu pai foi recomendado por um de seus sócios nos negócios, Sr Lázaro Ramos Novaes, que ele fosse fazer sua reabilitação nos Estados Unidos, visto que aqui no Brasil, infelizmente, ainda não existiam centros de reabilitação tais como a AACD, Lar Escola São Francisco, Sara Kubistchek. Lucy Montoro, etc... Lázaro também tinha um filho, Alfredo Ramos Novaes, o Alfredinho, que também tinha sofrido um acidente, ao mergulhar num rio que estava raso, na cidade de Taquaritinga, onde moravam seus avôs. No acidente, após bater a cabeça na areia do fundo do rio, sua coluna cervical foi comprida deixando-o tetraplégico.
Seu pai, José Del Grande, acertou com o Senhor Lazaro Ramos para que Sérgio fosse transferido para os Estados Unidos, e ficasse internado no Kesller Institute Four Rehabilitation, onde o Alfredinho já estava fazendo reabilitação. Alguns dias depois, Sérgio juntamente com seu pai José, seguiram para os Estados Unidos.
A REABILITAÇÃO NOS ESTADOS UNIDOS
A viagem, embora tenha sido feita de avião, levou 24 horas para chegar ao seu destino. Partiu de São Paulo, rumo ao Rio de Janeiro, num Douglas DC-3, da Real. De lá, pegaram um Super Constelation, da Pan-Nan, rumo à Nova Iorque, com escalas em Belém–PA, e em Porto Rico. Ao desembarcar no Aeroporto de Laguardia, N.Y. Sérgio foi imediatamente transferido numa ambulância para a cidade de Wiste Orange, estado de New Jersey, para o Instituto Kesller. Este translado foi de aproximadamente 100 quilômetros.
Lá chegando foi recepcionado pelo próprio Dr. Kesller e pelo brasileiro Alfredinho e ficou alojado em um quarto com outros deficientes. Seu pai ficou hospedado em outro local, pois as normas daquele centro de reabilitação não permitiam que seus internos ficassem com acompanhantes, pois deveriam se habituar a serem independentes.
Nas primeiras semanas foram feitos vários testes para medir a resistência de seus músculos. Após ser confirmado que eles estavam atrofiados por falta de estimulo, foi feito um primeiro aparelho para que ele pudesse ficar em pé. O sistema de reabilitação era realmente voltado para a independência do paciente.
As grandes indústrias automobilísticas de lá, tais como Ford, Chevrolet, Chrysler, entre outras, cediam seus veículos já adaptados para que os pacientes pudessem aprender a dirigir. Foi assim que Sérgio, orientado pelo instrutor do Instituto, deu suas primeiras voltas dirigindo ele próprio o veículo. E assim descobriu a grande liberdade e independência que o deficiente tem dirigindo um automóvel! Meses depois conseguiu ser aprovado no exame prático, e recebeu a licença para dirigir.
No esquema da reabilitação no Instituto Kesller, o paciente era obrigado a praticar uma atividade esportiva. Ele poderia optar entre a natação, o arco e flecha, o basebol ou basquetebol em cadeira de rodas. Sergio optou pelo basquetebol, onde sua estatura grande, com 1,85 m de altura, lhe favorecia. Quase todos os sábados, havia jogos com outros institutos de reabilitação, o que tornava esta modalidade mais interessante.
No Instituto, as atividades eram muito intensas também nos fins de semana. Lá havia muitos internos que eram mantidos por companhias seguradoras. Essas companhias possuíam uma verba específica para que eles pudessem participar de atividades de lazer, tais como: ir a restaurantes, boates, parques de diversões, cinema, partidas de basebol, lutas de boxe, etc., Estes passeios eram muito importantes para os deficientes retornarem ao convívio social, para serem novamente incluídos na sociedade. Sérgio conta que a primeira vez que foi a um parque de diversões, após o acidente, se divertiu muito em vários brinquedos, com aquela sensação de liberdade e alegria.
Numa determinada hora, entrou junto com o grupo num trenzinho. Quando este começou a se movimentar, é que ele ficou sabendo que estava no trem da montanha russa. Naquele instante ficou meio atemorizado, mas depois adorou a surpresa e principalmente a emoção. Outra atividade que eles freqüentemente faziam lá, era ir ao Drive - in onde, naquela época, o local era muito bem freqüentado. Famílias inteiras iam assistir os grandes filmes recém lançados pela indústria cinematográfica e se deliciar com os sanduíches e refrigerantes, além, claro, das pipocas. Conta Sergio que as garçonetes serviam sanduíches e refrigerantes grátis para sua turma. Era a maior barato (barato mesmo).
Após um ano de reabilitação, Sérgio ficou muito feliz e motivado. Nos fins de semana ia passear em Nova Iorque e outras cidades próximas, com seu próprio veículo, o que lhe propiciava liberdade e independência. Nesse período conquistou várias namoradas americanas, que, confessa ele, eram muito feias, incomparáveis com as nossas brasileiras.
Ele estava de bem com a vida e com ele mesmo. Animado e querendo ser independente, estava até procurando emprego por lá, uma vez que a sua reabilitação já estava concluída. O Instituto já tinha feito a sua parte. Agora só dependeria dele a sua evolução.
SUA VOLTA PARA O BRASIL
Sua família percebeu que ele não queria mais voltar ao Brasil. Sua mãe preocupada inventou uma história, juntamente com seu pai, para que ele viesse passar o natal de 1955, aqui no Brasil. Ele trouxe em sua bagagem nada mais nada menos que um Chevrolet Belair 1956, quatro portas sem coluna, com pintura saia e blusa (capota de uma cor e o restante de outra), pneus faixa branca larga, e o famoso farol lateral, instalado na coluna esquerda do pára-brisa, chamado "caça mulata". O veículo era hidramático, com alavanca de mudança de marchas na coluna da direção, e já veio adaptado, para que ele pudesse dirigi-lo. Esta adaptação serviu de modelo para que os irmãos Acerbi fabricassem o sistema aqui no Brasil, possibilitando com isso que vários outros deficientes pudessem dirigir automóveis.
Ele trouxe também na sua bagagem uma cadeira de rodas dobrável, super moderna para a época.
A VINDA DOS PAN-AN JETS
Em conversa com o Dr. Renato Bonfim, um dos fundadores da AACD, Sergio comentou sobre o basquetebol em cadeira de rodas que era praticado por ele e outros deficientes físicos lá nos Estados Unidos. Dr. Renato demonstrou grande interesse pela modalidade utilizada também como reabilitação, e se empenhou bastante para que a equipe dos Pan-An Jets, viessem fazer apresentações aqui no Brasil. Os Pan-Ann Jets era uma equipe de basquetebol em cadeira de rodas, formada por funcionários deficientes da empresa de aviação Pan-Ann.
Assim, em novembro de 1957 os Pan-An Jets fizeram duas apresentações aqui no Brasil. Uma foi no Ginásio do Ibirapuera, em São Paulo. E a outra, no Ginásio do Maracanãzinho, no Rio de Janeiro. Aqui em São Paulo, a lotação do Ginásio foi completa.
Durante a permanência dos Pan- An Jets aqui em São Paulo, Sérgio serviu também de cicerone para a equipe. Com isto fortaleceu ainda mais sua amizade com o jogador americano Gin Quellogue, que também havia feito sua reabilitação junto com Sérgio no Instituto Kesller. Este sugeriu a Sérgio que fundasse uma equipe de basquetebol em cadeira de rodas, aqui no Brasil.
Quando da apresentação dos Pan-An-Jets aqui em São Paulo, Sérgio conheceu uma pessoa chamada Balmer, interessada em fabricar cadeira de rodas aqui no Brasil. Balmer queria sua moderníssima cadeira de rodas emprestada, para servir de modelo, para a fabricação de outras em sua indústria. Sérgio a emprestou com a seguinte condição: que ele fabricasse e doasse 10 cadeiras, pois sua intenção era de formar uma equipe de basquetebol em cadeira de rodas aqui em São Paulo.
O Sr. Balmer aceitou a proposta de imediato. Após conhecê-lo melhor, soube que sua esposa era deficiente devido a um atropelamento que sofrera. O motorista que dirigia o automóvel no acidente, era o próprio Balmer. Após um período de convívio com sua vítima, eles se apaixonaram e se casaram. Hoje as indústrias Balmer, é uma das principais indústrias de equipamentos médicos e ortopédicos do Brasil.
A FORMAÇÃO DA EQUIPE DE BASQUETEBOL EM CADEIRA DE RODAS EM SÃO PAULO
Quando o Sr. Balmer lhe entregou as 10 cadeiras, Sérgio iniciou a procura por pessoas deficientes para transformá-los em atletas. O primeiro deles foi o Lourenço, que mostrou muita habilidade, ao saltar de um bonde andando, na Av. Brigadeiro Luis Antônio e conseguindo se equilibrar nas muletas. Ele pensou: se ele faz isto no bonde, calcula na cadeira! Lourenço tinha grande amizade com deficientes que freqüentavam o então recém inaugurado Lar Escola São Francisco. Com isso foi relativamente fácil recrutar pessoas deficientes para a montagem do time.
Lourenço também abriu as portas da Federação Paulista de Futebol, pois trabalhava lá. Sérgio ficou conhecendo o Sr. Júlio Fantausi, tesoureiro da Federação, e o Dr. Paulo Machado de Carvalho, o futuro Marechal da Vitória. Após os treinamentos, em fevereiro de 1958, foi feita a primeira apresentação pública dos Azes da Cadeira de Rodas, no Ginásio de Esportes Baby Barione, antigo DEFE. Foi um grande sucesso. Estavam prestigiando o evento, além do Dr. Júlio e Dr. Paulo Machado de Carvalho, o Sr. João Havelange, Laudo Natel, Murilo Antunes Alves, entre outros.
FUNDAÇÃO DO CLUBE DOS PARAPLÉGICOS DE SÃO PAULO
A repercussão desta apresentação aqui em São Paulo foi muito grande e empolgante, sensibilizando grande parte da população, empresários, esportistas e políticos da época. Empolgados com o sucesso da excelente exibição realizada por Sérgio, Lourenço, Tomaz, Garcia, Janir, Hermínio, Dorival, Arthur, Pedrão, Paulinho, Coelho, entre outros, um grupo de paulistas resolveu unir forças para a fundação de um clube que se chamaria CLUBE DOS PARAPLÉGICOS DE SÃO PAULO, cujo a equipe de basquetebol se chamaria Azes da Cadeira de Rodas. Decidiu-se então publicar um edital para fundação do clube que seria 28 de julho de 1958, em homenagem aos 1º Jogos Internacionais em Cadeira de Rodas, na cidade de Ailisbuiri, onde fica o hospital de Stoke Mandeville, Inglaterra, comandado pelo Dr. Ludi Gutman. Este hospital foi pioneiro na prática de esportes para pessoas com deficiência física.
Sérgio tinha como atividade profissional, fazer câmbio com estrangeiros que chegavam a Santos, na Casa Bancária Giordano. Eles vinham até São Paulo para trocar sua moeda. Sérgio se deu bem, devido a sua facilidade em falar outras línguas. Essa casa foi vendida para o Banco Bradesco e ai Sérgio passou a trabalhar na Ima Importadora, que trabalhava com importação de mercadorias tais como Azeite Carbonel, entre outras.
Seu sonho, antes do acidente, era após se formar no científico, ir para Piracicaba e fazer engenharia agrônoma, na Escola Superior de Agronomia Luis de Queiroz. Como seu sonho foi sempre lidar na lavoura, seus pais compraram em 1962 a fazenda São Judas Tadeu, na cidade de Matão-SP. A partir daí Sérgio passou a gerenciá-la. No início plantou cana, mas com a queda do governo João Goulart todos que haviam plantado este produto se deram mal. Para que não se perdesse toda a plantação, parte da fazenda foi cercada e colocaram gado para comer a cana. Após dois anos se formou, em Matão, a Citrosuco. E ele, como todas as fazendas da região foram aconselhadas a plantar laranja, o que faz até hoje.
SUA ESPOSA
Em 1972 casou-se com Irene Aparecida Hotta, cuja história também é muito interessante. Irene havia ganhado, no ano 1965, o título de Miss Mato Grosso. Um dos prêmios que conquistou foi um fusquinha zero km. Como não sabia dirigir o veículo, o seu noivo na época, foi ensinar as primeiras aulas de volante. Ao mudar de marcha da 3ª para 4ª o veículo alcançou grande velocidade quando estavam num areão fazendo com que o carro se desgovernasse e capotasse, sendo ela arremessada para fora do veículo, fraturando a coluna cervical.
Foi transferida aqui para São Paulo, onde a AACD já existia, mas somente para o atendimento de crianças. Sensibilizado com sua situação o Dr. Renato Bonfim permitiu que ela fizesse reabilitação naquele centro. Irene foi a primeira adulta a ser atendida na AACD.
Após vários meses de fisioterapia o Dr. Renato, fazendo papel de cupido, apresentou Irene para Sérgio, que, após levá-la para passear no seu irresistível Chevrolet Malibu último tipo, foi onde tudo começou. Após quatro anos, eles se casaram e viveram muito felizes.
A LUTA PARA ISENÇÃO DOS IMPOSTOS SOBRE VEÍCULOS PARA DEFICIENTES
Por falar no Chevrole Malibu, foi Sérgio juntamente com Lourenço e outros deficientes que conseguiram a isenção para importação de veículos hidramáticos para deficientes físicos. A peregrinação para conseguir este feito não foi nada fácil. Primeiro foi marcada uma audiência com o então presidente do Brasil, Sr. Jânio Quadros, cujo resultado foi satisfatório. Ele mandou um Projeto de Lei para a Assembléia para aprovação. Após sua renúncia, continuou a batalha com o presidente João Goulart, que, como se sabe, também não completou o mandato.
Quem realmente aprovou a Lei foi o Ministro da Fazenda Dr. Otávio Gouveia de Bulhões, no ano de 1965, no então governo do presidente Humberto de Alencar Castelo Branco. E logo após, em 1966, Sérgio importou, sem impostos, seu famoso Chevrolt Malibu. Com isto todos os deficientes do Brasil puderam adquirir seus veículos sem taxas de importação.
PARTICIPAÇÃO JÁ NA TERCEIRA IDADE EM CAMPEONATOS DE NATAÇÃO
Sérgio Del Grande depois da idade avançada que não mais participava mais dos campeonatos de basquete em cadeira de rodas passou a praticar natação. Como sua deficiência estava muito avançada sua classificação funcional era S1, a dos atletas mais comprometidos e com maior grau de dificuldade nesta modalidade. Mas com sua garra e determinação com mais de 60 anos foi por vários anos consecutivos detentor do Recorde Brasileiro nas provas de 50 e 100 metros nado livre e 50 costas na sua classe.
FALECIMENTO
Com muito pesar as Instituições voltadas as pessoas com deficiência anunciaram no dia 11 de maio de 2005 o falecimento do nosso querido Sérgio Del Grande, cuja vida foi marcada pela bondade e dedicação às causas dos deficientes, sempre lutando por seus direitos e inclusão.
Temos certeza de que o seu trabalho será exemplo para as atuais gerações. Solidarizamos-nos com a perda deste ilustre Mestre. Sua memória registra profundo orgulho para toda a comunidade paraolímpica.